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Alívio cômico

 
Conto alguns eventos da minha vida como se estivesse em um show de stand-up. Em especial, e quase exclusivamente, eventos que me causaram alguma dor ou mágoa.
Crônicas

A quilômetros da barbárie

O dia de hoje foi terrivelmente difícil para mim. E para outras pessoas também, pelo mesmo motivo.
Todos aqui vem acompanhando os atos de vandalismo e crimes antidemocráticos de bolsonaristas na Praça dos Três Poderes. Cada detalhe dessa história me deixa mais angustiada e com medo. Mas o mais estranho pra mim é que, por morar em Brasília, isso tudo não é só um atentado na sede do Governo Federal. É uma barbárie na minha vizinhança.
Crônicas

A primeira chuva

Meu pai diz que desde bebê colocava a gente para tomar banho na chuva. Não sei se isso é literal ou uma hipérbole, ele sempre foi meio exagerado.
O fato é que cresci correndo no meio da chuva, nas ruas de calçamento, na areia, na lama, no asfalto. Inventando brincadeiras novas, avaliando qual casa tinha a melhor bica para tomar banho, mapeando os lugares por onde passávamos, fazendo brincadeiras e descobertas. A chuva pra nós sempre foi muito além do senso comum.
Na primeira chuva não se pode banhar. Todo mundo sabe disso, mas nem sempre a gente respeita porque a empolgação é grande. Ela vem para lavar o telhado, escorrer todas as folhas da calha, tirar a sujeira acumulada. Não se pode juntar água da primeira chuva nas caixas d’água, caldeirões e cisternas, ela de nada serve a não ser para elevar os ânimos de quem espera a temporada chuvosa ansiosamente.
Crônicas

Fuxico interrompido

 
O ônibus levemente vazio (levando-se em consideração que cheio é quando pessoas se espremem em pé no corredor). Entra um homem com voz de bêbado, passo pouco firme e entusiasmo mal visto pelo restante dos passageiros. 
Poesia

Tudo de ti

do que me cabe
me livrei de pouco
porque tudo com tu
e para ti 
transborda
escorro
derramo
desperdício no chão de asfalto
tu 
que insiste em estar 
em todos os lugares
me enche do que é teu
do que era pra ser teu
 
como uma represa
como balão 
como dedos entrelaçados
me quebro
desaguo 
tormento é o que sobra