Conto alguns eventos da minha vida como se estivesse em um show de stand-up. Em especial, e quase exclusivamente, eventos que me causaram alguma dor ou mágoa.
O dia de hoje foi terrivelmente difícil para mim. E para outras pessoas também, pelo mesmo motivo. Todos aqui vem acompanhando os atos de vandalismo e crimes antidemocráticos de bolsonaristas na Praça dos Três Poderes. Cada detalhe dessa história me deixa mais angustiada e com medo. Mas o mais estranho pra mim é que, por morar em Brasília, isso tudo não é só um atentado na sede do Governo Federal. É uma barbárie na minha vizinhança.
Meu pai diz que desde bebê colocava a gente para tomar banho na chuva. Não sei se isso é literal ou uma hipérbole, ele sempre foi meio exagerado. O fato é que cresci correndo no meio da chuva, nas ruas de calçamento, na areia, na lama, no asfalto. Inventando brincadeiras novas, avaliando qual casa tinha a melhor bica para tomar banho, mapeando os lugares por onde passávamos, fazendo brincadeiras e descobertas. A chuva pra nós sempre foi muito além do senso comum. Na primeira chuva não se pode banhar. Todo mundo sabe disso, mas nem sempre a gente respeita porque a empolgação é grande. Ela vem para lavar o telhado, escorrer todas as folhas da calha, tirar a sujeira acumulada. Não se pode juntar água da primeira chuva nas caixas d’água, caldeirões e cisternas, ela de nada serve a não ser para elevar os ânimos de quem espera a temporada chuvosa ansiosamente.
O ônibus levemente vazio (levando-se em consideração que cheio é quando pessoas se espremem em pé no corredor). Entra um homem com voz de bêbado, passo pouco firme e entusiasmo mal visto pelo restante dos passageiros.
do que me cabe me livrei de pouco porque tudo com tu e para ti transborda escorro derramo desperdício no chão de asfalto tu que insiste em estar em todos os lugares me enche do que é teu do que era pra ser teu
como uma represa como balão como dedos entrelaçados me quebro desaguo tormento é o que sobra
Meu nome é Gabriella Castro, sou uma escritora, projeto de jornalista, legítima tagarela e doida dos gatos nas horas vagas. Sou piauiense de São Raimundo Nonato, mas atualmente, aos 21 anos, moro no Distrito Federal. Apaixonada por escrever, por crônicas, por música, por gatos e tantas coisas mais, resolvi fazer esse blog para compartilhar experiências e mostrar meus olhares sobre o mundo.